Dermatite atópica: doença vai além da pele e pode afetar sono, autoestima e vida social

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Data de conscientização nesta quarta-feira, 23 de setembro, chama atenção para uma doença inflamatória crônica que pode provocar coceira intensa, feridas, alterações no sono e impactos emocionais

A dermatite atópica ganhou destaque nesta quarta-feira, 23 de setembro, data instituída no Brasil como o Dia Nacional de Conscientização sobre a doença. A condição é inflamatória e crônica e tem como principal característica a coceira intensa, que pode ser acompanhada por ressecamento, vermelhidão, descamação e lesões. Em casos mais graves, as feridas provocadas pelas crises podem deixar a pele extremamente sensível e interferir em atividades simples do cotidiano. A doença não é contagiosa, mas ainda existe desconhecimento que pode provocar preconceito e afastamento social. (O POVO)

A dermatite atópica também pode ultrapassar os efeitos diretamente relacionados à pele. Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, as crises podem prejudicar o sono, o rendimento escolar ou profissional e a qualidade de vida. Em crianças e adolescentes, o impacto pode incluir isolamento, preocupação excessiva com a aparência e dificuldades de convivência. (O POVO)

Coceira intensa é um dos principais sinais da dermatite atópica

A coceira é um dos sintomas mais característicos da dermatite atópica e pode variar de intensidade ao longo do tempo. As lesões aparecem frequentemente em regiões como cotovelos, joelhos, pescoço e outras áreas de dobra, embora diferentes partes do corpo possam ser afetadas dependendo da idade e das características de cada paciente. Quando a pessoa se coça repetidamente, a pele pode sofrer novas lesões e ficar mais vulnerável a infecções. (O POVO)

A doença pode apresentar períodos de melhora e piora, o que faz com que alguns pacientes convivam durante anos com crises recorrentes. A Sociedade Brasileira de Dermatologia destaca que a dermatite atópica é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais e imunológicos. Isso significa que não existe necessariamente uma única causa responsável pelo surgimento ou agravamento das manifestações. (SBD)

O diagnóstico é principalmente clínico. De acordo com a dermatologista Rosana Lazzarini, citada pela Agência Brasil, não existem exames laboratoriais específicos capazes de diagnosticar a dermatite atópica isoladamente. O médico considera aspectos como a aparência das lesões, a duração e recorrência dos sintomas e a presença de coceira de difícil controle. Exames complementares podem ser solicitados em algumas situações para investigar outras possibilidades. (O POVO)

Outro ponto importante é diferenciar a dermatite atópica de um simples ressecamento da pele. Embora a pele seca possa fazer parte do quadro, sintomas persistentes, lesões recorrentes e coceira intensa precisam ser avaliados por um profissional de saúde. A identificação adequada permite estabelecer um tratamento de acordo com a gravidade da doença e as características individuais de cada paciente.

Dermatite atópica também pode prejudicar sono, autoestima e convivência

O impacto da dermatite atópica não está restrito às manifestações físicas. A coceira pode se intensificar durante a noite e comprometer o descanso, fazendo com que pacientes tenham dificuldade para dormir adequadamente. A perda de qualidade do sono pode repercutir no desempenho escolar, no trabalho e na disposição durante o dia. A Agência Brasil cita especialistas que destacam justamente essa relação entre as crises e a qualidade de vida. (O POVO)

Em crianças e adolescentes, as consequências podem ser ainda mais amplas. Especialistas do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Rio de Janeiro, vinculado à HU Brasil, chamaram atenção para situações de isolamento, alterações de humor, queda no rendimento escolar e preocupação excessiva com a aparência. O medo de sofrer comentários sobre as lesões também pode fazer com que alguns jovens evitem determinadas situações sociais. (Serviços e Informações do Brasil)

O preconceito é outro problema associado à falta de informação. Como as lesões podem apresentar aparência semelhante a feridas ou outras alterações de pele, algumas pessoas podem acreditar equivocadamente que a doença é contagiosa. A dermatite atópica, porém, não é uma doença transmissível. A Sociedade Brasileira de Dermatologia destaca que o esclarecimento sobre a condição é importante para reduzir o estigma e melhorar a convivência dos pacientes. (SBD)

Por esse motivo, o tratamento pode envolver mais do que o controle das manifestações cutâneas. Em determinados casos, o acompanhamento de diferentes profissionais pode ser necessário para lidar com os impactos físicos, emocionais e sociais provocados pela doença. A equipe da HU Brasil ressalta a importância de observar sinais de que a condição está afetando a vida emocional da criança ou do adolescente, especialmente quando há isolamento ou mudanças significativas de comportamento. (Serviços e Informações do Brasil)

Tratamento exige cuidados contínuos e acompanhamento médico

A hidratação da pele é apontada por especialistas como uma das medidas fundamentais para pacientes com dermatite atópica. Cremes e loções hidratantes ajudam a preservar a barreira cutânea, que costuma apresentar alterações em pessoas com a doença. A frequência da hidratação pode ser maior nos casos em que a pele apresenta ressecamento intenso, e a escolha dos produtos deve considerar as características de cada paciente. (O POVO)

Os cuidados durante o banho também fazem parte da rotina recomendada para o controle da condição. A orientação apresentada pela dermatologista à Agência Brasil inclui banhos rápidos e com água não quente, além do uso controlado de sabonete. A intenção é evitar que a pele fique ainda mais ressecada e irritada. Roupas e produtos que provoquem atrito ou irritação também podem ser avaliados individualmente conforme a resposta de cada pessoa. (O POVO)

O tratamento médico pode envolver medicamentos tópicos, como corticosteroides apropriados para determinadas regiões da pele, além de outras opções dependendo da gravidade. A fototerapia com UVB de banda estreita também pode ser utilizada em situações específicas. Nos quadros mais graves, podem ser considerados medicamentos sistêmicos ou terapias direcionadas ao processo inflamatório, sempre com indicação e acompanhamento médico. (O POVO)

No Brasil, o Ministério da Saúde possui um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas específico para dermatite atópica. A versão atualmente disponível foi aprovada por nova portaria publicada em novembro de 2025 e estabelece parâmetros nacionais relacionados ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento da doença. (Serviços e Informações do Brasil)

A data de 23 de setembro foi criada justamente para ampliar o conhecimento sobre a condição. A Lei nº 14.916/2024 instituiu oficialmente o Dia Nacional da Conscientização sobre a Dermatite Atópica e prevê atividades de informação, educação e conscientização durante o mês de setembro. (Legis Senado)

A conscientização também ajuda a combater a ideia equivocada de que as lesões são resultado de falta de higiene ou de uma doença contagiosa. Para quem convive com a dermatite atópica, compreender que se trata de uma condição inflamatória crônica pode facilitar a busca por diagnóstico e tratamento adequados. A data reforça ainda a necessidade de considerar os efeitos da doença sobre o sono, a autoestima, a escola, o trabalho e a vida social.

Em caso de coceira persistente, lesões recorrentes, ressecamento intenso ou feridas que não melhoram, a orientação é procurar avaliação médica para identificar a causa e definir a conduta adequada. O tratamento deve ser individualizado, principalmente porque a intensidade e os gatilhos das crises podem variar de uma pessoa para outra.

Fontes:

Agência Brasil — Dermatite atópica impacta pele, sono e autoestima

Sociedade Brasileira de Dermatologia — Dia da Dermatite Atópica

Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dermatite Atópica

HU Brasil — Dermatite atópica e impactos na saúde mental de crianças e adolescentes

Senado Federal — Lei nº 14.916/2024

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