Anvisa manda retirar suplementos Expert e Nutra Senior do mercado: veja produtos afetados e o que fazer

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Agência determinou recolhimento e proibiu venda, distribuição, divulgação e uso de produtos após identificar irregularidades relacionadas à segurança e qualidade.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de suplementos alimentares das linhas Expert e Nutra Senior comercializados irregularmente no Brasil. A decisão foi divulgada pela agência em 9 de setembro de 2026 e ganhou repercussão nacional nesta quinta-feira, 10 de setembro. Entre os produtos atingidos estão Expert Berlian, Expert Diamond e Expert Dimond, além de diferentes suplementos das linhas Nutra Senior e Nutra Whey Gourmet.

A medida é mais abrangente do que uma simples advertência. Os produtos especificados pela Anvisa não podem ser comercializados, distribuídos, divulgados nem utilizados e devem ser recolhidos. No caso da linha Expert, a agência também chamou atenção para a divulgação de alegações relacionadas a problemas de saúde, apesar de suplementos alimentares não serem medicamentos. Para quem possui algum desses produtos em casa, a principal dúvida é direta: quais suplementos foram atingidos pela decisão e o que o consumidor deve fazer agora?

Quais suplementos Expert e Nutra Senior foram proibidos pela Anvisa?

A primeira determinação envolve o suplemento alimentar em cápsulas Expert Berlian, incluindo as variações comercializadas como Expert Diamond e Expert Dimond, vinculadas à empresa Diamond Expert Brasil Importação e Exportação Ltda. Segundo a Anvisa, não foram apresentados estudos de estabilidade e a notificação do produto junto à agência havia sido cancelada em 25 de janeiro de 2025. Apesar disso, o suplemento continuava sendo encontrado à venda no país.

A Anvisa também informou que o produto vinha sendo amplamente divulgado com atribuição de propriedades terapêuticas. Entre as alegações mencionadas pela agência estavam efeitos relacionados à regeneração e manutenção da cartilagem, ação anti-inflamatória e problemas como dores articulares, artrite, artrose, fibromialgia, lombalgia e ciática. Esse é um ponto particularmente relevante porque, segundo as próprias orientações sanitárias, suplementos alimentares não são medicamentos e não devem ser apresentados como produtos destinados a tratar, prevenir ou curar doenças.

A segunda medida alcança suplementos fabricados pela LHS Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. Foram atingidos Nutra Senior, em todos os sabores; Nutra Senior Premium, em todos os sabores; Nutra Whey Gourmet, em todos os sabores; Nutra Senior Zero Açúcar, em todos os sabores; e Nutra Senior Diabetics Care, em todos os sabores. A Anvisa determinou para esses produtos as mesmas medidas de recolhimento e proibição de comercialização, distribuição, divulgação e utilização.

De acordo com a agência, a fabricante não apresentou estudos de estabilidade capazes de demonstrar que as características de segurança, composição e qualidade seriam mantidas até o fim do prazo de validade informado nos rótulos. A Anvisa acrescentou que os produtos continuavam sendo encontrados para venda na internet mesmo depois do cancelamento das respectivas notificações. As medidas sanitárias estão relacionadas às Resoluções RE 3.540/2026 e RE 3.541/2026.

Por que a falta de estudos de estabilidade é importante para quem usa suplementos?

Estudos de estabilidade não são uma mera formalidade burocrática. Eles ajudam a demonstrar que determinado produto consegue manter características necessárias de qualidade e segurança durante o período em que o fabricante afirma que ele pode ser consumido. Questões como composição, condições de armazenamento e comportamento dos ingredientes ao longo do tempo precisam ser consideradas para que o prazo de validade informado ao consumidor tenha fundamentação técnica adequada. A Anvisa deixou claro, ao tratar das regras de regularização em setembro, que os estudos de estabilidade continuam entre as exigências sanitárias aplicáveis aos suplementos.

A agência havia alertado o setor justamente para o encerramento, em 1º de setembro de 2026, de um período de adequação às novas regras de regularização. O prazo estava relacionado à notificação de determinados suplementos e alimentos para controle de peso enquadrados nas regras de transição da RDC 843/2024. A Anvisa ressaltou, entretanto, que essa transição não criou uma dispensa temporária para outras exigências técnicas. Produtos abrangidos pelas regras continuam obrigados a cumprir requisitos sanitários de qualidade e segurança.

Também existe uma diferença importante entre suplemento alimentar e medicamento. A Anvisa define suplementos como produtos destinados a complementar a alimentação de pessoas saudáveis com nutrientes, substâncias bioativas, enzimas ou probióticos. Eles podem ser apresentados em cápsulas, comprimidos, pós, líquidos e outras formas, mas não são destinados ao tratamento de doenças. Quando a publicidade atribui propriedades terapêuticas não autorizadas a um suplemento, o consumidor pode interpretar equivocadamente o produto como alternativa a tratamentos médicos comprovados.

As regras também alcançam aquilo que aparece na embalagem. O rótulo deve informar, entre outros elementos, modo de uso, advertências, restrições, tabela nutricional, ingredientes e prazo de validade. Alegações sobre benefícios só podem ser utilizadas quando autorizadas pela Anvisa e precisam respeitar as condições previstas na regulamentação. Dessa forma, promessas extraordinárias de tratamento ou cura associadas a suplementos devem ser encaradas como sinal de alerta pelo consumidor.

Tenho um desses suplementos em casa: o que fazer e como verificar outros produtos?

Diante da determinação de recolhimento e da proibição de uso, consumidores que possuem os produtos atingidos não devem continuar utilizando-os. A decisão da Anvisa é específica para os suplementos identificados nas resoluções e não representa uma proibição generalizada de suplementos alimentares no Brasil. O mais importante é verificar exatamente a marca e o produto adquirido e buscar informações nos canais oficiais da vigilância sanitária antes de consumir itens cuja situação regulatória gere dúvidas.

A própria Anvisa mantém uma ferramenta para verificar a situação dos suplementos regularizados. Quando o produto é registrado, o consumidor pode consultar o número informado na embalagem; para produtos notificados, também é possível pesquisar o processo correspondente. No resultado da consulta, a situação “Ativo” indica que o produto está regularizado, enquanto “Inativo” significa que ele não está regularizado perante a agência. Há particularidades para produtos regularizados originalmente perante vigilâncias sanitárias locais, por isso a análise precisa considerar o regime aplicável a cada item.

Outra recomendação é observar atentamente a embalagem antes da compra. A identificação de suplemento alimentar deve estar claramente apresentada, acompanhada das informações obrigatórias. Ingredientes destinados a fornecer nutrientes, substâncias bioativas e enzimas também precisam estar entre aqueles autorizados pela Anvisa e respeitar limites e condições de uso definidos para diferentes grupos da população. Alegações de benefícios igualmente estão sujeitas à avaliação regulatória.

O ambiente digital exige cuidado adicional. Produtos podem permanecer anunciados em marketplaces, redes sociais ou lojas virtuais mesmo depois de medidas sanitárias, como a própria Anvisa constatou no caso dos suplementos agora recolhidos. Encontrar um produto disponível para compra na internet, portanto, não é garantia de que sua situação sanitária esteja regular. A agência recomenda comprar em estabelecimentos e sites confiáveis, buscar orientação de profissional de saúde e denunciar suplementos suspeitos por seus canais oficiais.

A decisão envolvendo Expert e Nutra Senior reforça a importância da fiscalização de um mercado que alcança consumidores interessados em nutrição, atividade física e bem-estar. A retirada de produtos não significa que suplementos regularizados sejam inseguros, mas evidencia por que documentação técnica, rastreabilidade e controle das alegações feitas na publicidade são relevantes para proteger o cidadão.

Para quem utiliza suplementos regularmente, a orientação mais segura é não confiar apenas em anúncios ou depoimentos encontrados nas redes sociais. Consultar a situação do produto, conferir o rótulo e buscar orientação profissional são medidas simples que reduzem riscos. No caso específico dos produtos atingidos pelas resoluções desta semana, a determinação oficial é clara: eles devem ser recolhidos e não podem continuar sendo vendidos, distribuídos, divulgados ou utilizados.

Fontes:
Anvisa — determinação de recolhimento dos suplementos Expert e Nutra Senior
Anvisa — regras de regularização e estudos de estabilidade de suplementos
Anvisa — como verificar se um suplemento está autorizado
Anvisa — orientações para usar suplementos alimentares com segurança
Anvisa — informações obrigatórias nos rótulos de suplementos

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