Corrosão sob isolamento em ativos de superfície e a lógica de priorização por criticidade

Diego Velázquez
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Paulo Roberto Gomes Fernandes analisa como a corrosão sob isolamento em ativos de superfície exige estratégias técnicas de inspeção e priorização por criticidade para reduzir riscos operacionais.

Paulo Roberto Gomes Fernandes sinaliza que a corrosão sob isolamento, conhecida como CUI, segue entre os riscos mais subestimados em ativos de superfície porque cresce escondida e, muitas vezes, só é percebida quando a perda de espessura já pressiona a segurança e a disponibilidade. Em 2026, o tema ganhou peso por um motivo prático: falhas associadas à CUI costumam surgir fora da janela planejada, aumentando custo, mobilização e tempo de resposta.

Em instalações com isolamento térmico, a proteção visível nem sempre representa proteção real. Juntas, suportes e passagens de instrumentos podem permitir a entrada de umidade, mesmo quando o exterior parece íntegro. Nesse sentido, controlar a CUI depende de escolher onde abrir, onde medir e como transformar achados em decisões que reduzam reincidência.

Por que a CUI se desenvolve sem sinais claros

A CUI se alimenta de microambientes. Água retida, sais e ciclos de temperatura criam condições para a corrosão avançar sob mantas e chapas, sem evidência externa imediata. Ainda assim, alguns padrões são recorrentes, interfaces entre isolamento e suportação, regiões com vedação degradada e pontos onde o revestimento foi danificado por manutenção tendem a concentrar risco. Paulo Roberto Gomes Fernandes comenta que a falha de gestão começa quando a operação assume que “se não há vazamento, não há problema”.

Ambientes com alta umidade e variação térmica também aumentam a chance de condensação, o que amplia a dificuldade de controle. Desse modo, a inspeção não pode ser guiada apenas por conveniência, abrir sempre nos mesmos locais de fácil acesso gera uma leitura parcial e mantém o risco oculto onde ele é mais provável.

Como priorizar pontos de inspeção sem desmontar a planta

Como não é viável remover isolamento em grande escala, a priorização é o núcleo do método. Variáveis como faixa de temperatura do ativo, idade do isolamento, histórico de danos mecânicos, tipo de revestimento e exposição do ambiente ajudam a classificar criticidade. Por outro lado, consequência também precisa entrar na decisão, ativos com maior impacto de parada e maior sensibilidade do entorno exigem acompanhamento mais rigoroso.

No cenário da integridade industrial, Paulo Roberto Gomes Fernandes explica por que a corrosão sob isolamento em ativos de superfície deve ser tratada com lógica de priorização baseada em criticidade.
No cenário da integridade industrial, Paulo Roberto Gomes Fernandes explica por que a corrosão sob isolamento em ativos de superfície deve ser tratada com lógica de priorização baseada em criticidade.

Paulo Roberto Gomes Fernandes sugere que a seleção de pontos combine probabilidade e consequência, criando um mapa de inspeção por grupos, trechos com juntas frequentes, suportes com retenção de água e áreas com infiltração conhecida. Assim, o plano ganha coerência, permite comparação entre ciclos e reduz escolhas casuísticas.

Inspeção direcionada é o passo que separa achado de intervenção

Depois de definir onde olhar, o método precisa evitar dois extremos: abrir demais e gerar custo sem ganho proporcional, ou abrir de menos e manter risco oculto. Janelas de inspeção planejadas e medições por pontos selecionados podem elevar a produtividade. Entretanto, o ponto decisivo é o que acontece após a medição. Paulo Roberto Gomes Fernandes enfatiza que achado sem decisão vira passivo, porque o risco é reconhecido, mas permanece.

Por conseguinte, cada ocorrência relevante deve se converter em ação proporcional, reparo localizado, substituição de segmento, melhoria de vedação do isolamento, ou correção de drenagem e suportação que estavam retendo umidade. Além disso, registrar a causa provável e a medida aplicada reduz a chance de o mesmo mecanismo reaparecer na próxima rodada.

Prevenção, manutenção do isolamento e rastreabilidade

Prevenir CUI não significa eliminar isolamento, e sim manter o isolamento íntegro como sistema. Vedação adequada, proteção em pontos de entrada, drenagem, escolha de materiais compatíveis e revisão periódica de juntas reduzem a entrada de umidade. Ainda assim, a prevenção só se sustenta com rotina, pois a degradação é gradual. Paulo Roberto Gomes Fernandes pontua que o ganho aparece quando a planta trata o isolamento como elemento de integridade e não como acabamento.

Diante do exposto, uma estratégia eficaz em 2026 combina priorização por criticidade, inspeção direcionada, decisão rápida e registro consistente. Quando a organização corrige o metal e também as causas de retenção de água, a CUI deixa de ser surpresa e passa a ser risco gerenciado.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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