Sites, publicações em redes sociais, apresentações e anúncios nunca foram tão fáceis de produzir com ferramentas digitais, bibliotecas prontas e sistemas de edição acessíveis. Dalmi Defanti, fundador da Gráfica Print e especialista em assuntos gráficos, observa um cenário no qual essa facilidade traz também uma contradição: quanto mais recursos existem para criar, maior pode ser a sensação de encontrar as mesmas soluções visuais em lugares diferentes.
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Por que tantos projetos começaram a se parecer?
Os templates resolvem um problema concreto: reduzem o tempo necessário para começar uma peça do zero. Em vez de definir individualmente margens, hierarquia, proporções e distribuição dos elementos, o usuário recebe uma estrutura previamente organizada. Para pequenas empresas ou profissionais sem uma equipe dedicada de design, essa possibilidade tornou a produção visual mais acessível, além de facilitar a criação de materiais com uma organização gráfica minimamente consistente.
A semelhança aparece quando a estrutura deixa de funcionar como ponto de partida e passa a ser praticamente o resultado final. Trocam-se fotografias, textos e cores, mas permanecem a mesma distribuição dos elementos, proporções semelhantes e uma hierarquia visual reconhecível. Como determinados modelos populares circulam entre milhares de usuários, diferentes comunicações podem acabar compartilhando a mesma lógica, mesmo quando pertencem a marcas com propostas completamente distintas.
Na perspectiva de Dalmi Defanti Cuiabá, esse fenômeno ajuda a separar facilidade de produção de construção de identidade. Uma ferramenta pode acelerar tarefas importantes, mas não define automaticamente aquilo que torna determinada comunicação reconhecível. Quanto maior a disponibilidade de soluções prontas, mais relevante se torna decidir o que precisa ser adaptado para que a praticidade não resulte em uma identidade visual genérica.
O minimalismo contribuiu para essa uniformidade?
O minimalismo facilitou a comunicação em diferentes telas ao favorecer espaços livres, hierarquias claras, paletas reduzidas e elementos gráficos mais simples. Essas características continuam úteis, especialmente em interfaces que precisam funcionar em celulares, computadores e outros formatos. O problema surge quando princípios funcionais passam a ser reproduzidos como uma estética obrigatória.

A simplificação de logotipos mostra parte dessa lógica, comenta Dalmi Defanti. Muitas identidades abandonaram detalhes para melhorar aplicação e leitura em tamanhos reduzidos. Paralelamente, interfaces passaram a adotar estruturas familiares porque o usuário consegue reconhecer rapidamente menus, botões e caminhos. Existe, portanto, uma razão funcional para certas semelhanças, e nem toda repetição representa falta de criatividade.
A inteligência artificial aumenta esse efeito?
A inteligência artificial ampliou ainda mais a velocidade de criação. Imagens, referências, variações de layout e propostas visuais podem ser produzidas rapidamente, permitindo experimentar alternativas antes de chegar a uma solução definitiva. Essa capacidade pode ampliar o repertório, desde que os resultados sejam tratados como matéria-prima e não como decisões prontas. Dessa forma, a tecnologia pode contribuir para a exploração criativa sem substituir a análise necessária para definir quais caminhos realmente fazem sentido para cada projeto.
Por outro lado, sistemas generativos trabalham a partir de grandes conjuntos de referências existentes. Quando pedidos semelhantes procuram resultados considerados visualmente agradáveis, algumas soluções podem convergir para padrões familiares. Certos enquadramentos, iluminações, composições e estilos passam a aparecer repetidamente, reforçando a impressão de que conteúdos diferentes nasceram da mesma fórmula. Quanto maior a repetição dessas características, mais difícil pode se tornar identificar uma linguagem visual realmente particular entre tantas produções disponíveis.
Para Dalmi Defanti, a tecnologia torna a etapa de seleção ainda mais importante. Se produzir alternativas ficou mais rápido, o valor do trabalho também passa pela capacidade de reconhecer o que é genérico, descartar soluções previsíveis e desenvolver uma direção própria. Criar mais opções não significa necessariamente produzir maior diversidade visual. O diferencial passa também pelo olhar capaz de selecionar, combinar e transformar essas possibilidades de acordo com a identidade que se pretende construir.