Saúde pública e o desafio de ampliar o diagnóstico por imagem no SUS

Diego Velázquez
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Gustavo Khattar de Godoy

De acordo com Gustavo Khattar de Godoy, médico com especialização em radiologia e diagnóstico por imagem, ampliar o acesso ao diagnóstico por imagem dentro do Sistema Único de Saúde continua sendo um dos principais desafios da saúde pública brasileira. Regiões distantes dos grandes centros urbanos enfrentam dificuldades estruturais que atrasam a realização de exames essenciais, comprometendo a agilidade no tratamento de diversas doenças.

A escassez de equipamentos, a falta de profissionais especializados em determinadas localidades e a sobrecarga das unidades de saúde formam um conjunto de obstáculos que exige planejamento de médio e longo prazo. Municípios de pequeno porte costumam depender de encaminhamentos para outras cidades, o que aumenta o tempo total entre a solicitação e a realização do exame. 

Neste artigo, apresentamos os principais pontos que envolvem essa questão e o papel que a tecnologia pode desempenhar na superação desses gargalos.

Por que o diagnóstico por imagem ainda é limitado em parte do território nacional?

A distribuição desigual de equipamentos de diagnóstico por imagem revela um cenário de disparidades regionais dentro do sistema público de saúde. Estados com menor densidade populacional costumam concentrar poucos aparelhos de tomografia e ressonância, obrigando pacientes a percorrerem longas distâncias para realizar exames simples. 

Como destaca Gustavo Khattar de Godoy, a concentração geográfica desses recursos impacta diretamente o tempo entre a suspeita clínica e a confirmação diagnóstica, o que pode agravar quadros que exigiriam intervenção precoce. Essa realidade é especialmente percebida em municípios que não contam com centros de referência próprios e acabam dependendo de encaminhamentos que se acumulam ao longo dos meses.

Qual é o impacto da telerradiologia na ampliação do atendimento público?

A adoção de sistemas de telerradiologia surge como alternativa viável para reduzir a distância entre pacientes e profissionais especializados em diagnóstico por imagem. 

Conforme elucida Gustavo Khattar de Godoy, a interpretação remota de exames permite que hospitais de pequeno porte enviem imagens para centros de referência, otimizando o tempo de resposta sem exigir a presença física de um especialista em cada unidade. Investimentos em conectividade e em plataformas de armazenamento seguro tornam-se, portanto, pré-requisitos para que essa estratégia funcione em escala nacional. Municípios que adotaram esse modelo relatam redução expressiva no tempo de entrega de laudos, especialmente em exames de urgência.

Gustavo Khattar de Godoy
Gustavo Khattar de Godoy

A gestão pública e a redução de filas para exames complexos

A organização de fluxos de atendimento, aliada à priorização de casos com maior risco clínico, representa um caminho concreto para diminuir o tempo de espera por exames de imagem. Nesse sentido, protocolos de triagem bem definidos ajudam a direcionar recursos escassos para quem realmente necessita de avaliação imediata. 

As observações de Gustavo Khattar de Godoy sobre o tema reforçam que a gestão eficiente de agendas, somada à ampliação de parcerias entre unidades públicas e privadas, pode gerar ganhos expressivos sem exigir investimentos desproporcionais. Sistemas de regulação bem estruturados também ajudam a evitar duplicidade de pedidos e desperdício de vagas já agendadas.

Quais caminhos podem equilibrar oferta e demanda por diagnóstico no SUS?

Investimentos em capacitação de equipes locais, aquisição programada de equipamentos e uso de inteligência artificial para pré-triagem de exames aparecem como frentes complementares para equilibrar oferta e demanda. Na avaliação de Gustavo Khattar de Godoy, a combinação entre tecnologia, gestão e formação profissional tende a ser mais eficaz do que soluções isoladas, já que cada território apresenta particularidades que exigem respostas específicas. A ampliação do diagnóstico por imagem no SUS, portanto, depende de políticas coordenadas entre diferentes esferas de governo e de parcerias que sustentem a continuidade dos programas ao longo do tempo.

A superação desses desafios estruturais tende a ser gradual, mas cada avanço em conectividade, capacitação e gestão aproxima o sistema público de um atendimento mais equânime em todo o território nacional. Municípios que investem de forma consistente nessas frentes costumam apresentar melhorias mensuráveis já nos primeiros anos de implementação.

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