Brasil e México avançam em cooperação para desenvolver vacinas de RNA mensageiro

Astrid Elverin
Astrid Elverin Brasil
11 Min de leitura

Parceria entre os dois países prevê pesquisa conjunta, transferência de tecnologia, capacitação de profissionais e criação de plataformas para desenvolver e produzir novas vacinas

Brasil e México avançaram nas discussões para ampliar a cooperação em tecnologias de saúde, com destaque para o desenvolvimento e a produção de vacinas baseadas em RNA mensageiro, uma plataforma que ganhou espaço na medicina e na pesquisa científica nos últimos anos. A atualização ocorreu durante uma agenda do Ministério da Saúde brasileiro na Cidade do México, realizada em 22 de setembro e atualizada pela pasta em 23 de setembro de 2026. O encontro reuniu representantes brasileiros e da BIRMEX, empresa mexicana responsável por produzir, comprar e distribuir medicamentos e produtos biológicos. (Serviços e Informações do Brasil)

A cooperação entre os dois países prevê intercâmbio de pesquisadores, visitas técnicas, seminários, capacitação de profissionais, troca de conhecimentos e busca conjunta de recursos para projetos. O objetivo é criar condições para que Brasil e México possam desenvolver tecnologias de saúde de forma conjunta, acompanhando etapas que vão da pesquisa aos estudos clínicos, produção e transferência tecnológica. A parceria também inclui a possibilidade de intercâmbio de produtos e conhecimentos entre as duas nações. (Serviços e Informações do Brasil)

Brasil e México querem ampliar pesquisa e produção de vacinas

A aproximação tecnológica entre Brasil e México não começou agora. Em agosto de 2025, a Fiocruz, a BIRMEX e o Ministério da Saúde mexicano estabeleceram um acordo voltado à pesquisa e à troca de conhecimentos e tecnologias. Desde então, a cooperação passou a incluir atividades como visitas técnicas, intercâmbio entre especialistas, seminários e capacitação de profissionais envolvidos no desenvolvimento de tecnologias de saúde. (Serviços e Informações do Brasil)

Na agenda realizada na Cidade do México, a possibilidade de criação de plataformas comuns ganhou destaque. A proposta é permitir que os dois países acompanhem conjuntamente o desenvolvimento de determinadas tecnologias e possam compartilhar conhecimentos e capacidades produtivas. De acordo com o Ministério da Saúde, a cooperação pode envolver diferentes fases de desenvolvimento, desde a pesquisa e os estudos clínicos até a produção e a transferência tecnológica. (Serviços e Informações do Brasil)

A estratégia também está relacionada ao esforço brasileiro para ampliar sua capacidade de desenvolver tecnologias consideradas estratégicas para o sistema de saúde. A produção de vacinas e medicamentos com tecnologias próprias pode reduzir a necessidade de depender exclusivamente de soluções desenvolvidas no exterior, especialmente em situações de emergência sanitária. O fortalecimento de estruturas nacionais de pesquisa e fabricação também pode criar condições para que tecnologias desenvolvidas no país sejam posteriormente compartilhadas com parceiros internacionais.

No caso do RNA mensageiro, a cooperação entre Brasil e México ocorre em um momento de expansão das pesquisas brasileiras. Fiocruz, Instituto Butantan e Universidade Federal de Minas Gerais estão envolvidos em projetos relacionados à plataforma, com investimentos do Ministério da Saúde que chegam a R$ 210 milhões. As iniciativas abrangem desde vacinas contra doenças infecciosas até pesquisas com aplicações terapêuticas. (Serviços e Informações do Brasil)

Como funciona a tecnologia de RNA mensageiro

O RNA mensageiro, conhecido pela sigla mRNA, funciona como uma espécie de instrução temporária para que as células produzam uma proteína específica capaz de estimular uma resposta do sistema imunológico. Nas vacinas, essa estratégia permite apresentar ao organismo informações relacionadas ao agente que se pretende combater, ajudando o sistema imune a desenvolver uma resposta sem a necessidade de utilizar o vírus ou bactéria completa. (Serviços e Informações do Brasil)

Uma das características da plataforma é a possibilidade de adaptação. As estruturas utilizadas para produzir diferentes vacinas podem ser modificadas de acordo com o alvo desejado, o que abre possibilidades para pesquisas contra diferentes doenças. É justamente essa característica que faz com que os investimentos em plataformas de mRNA sejam tratados como uma estratégia tecnológica mais ampla, e não apenas como o desenvolvimento de um único imunizante.

No Brasil, a Fiocruz desenvolve uma vacina de RNA mensageiro contra a Covid-19. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o início dos estudos clínicos de Fase 1, que avaliarão a segurança e a resposta imunológica do candidato vacinal em adultos saudáveis. O estudo prevê a participação de 90 voluntários entre 18 e 59 anos e avaliará diferentes doses do imunizante. (Serviços e Informações do Brasil)

Além da Covid-19, a plataforma brasileira de RNA vem sendo utilizada em pesquisas relacionadas a outras doenças. Segundo o Ministério da Saúde, projetos desenvolvidos na Fiocruz incluem estudos para vacinas contra leishmaniose e tuberculose. No Centro de Competência em Vacinas da UFMG, existem pesquisas relacionadas a dengue, malária, doença de Chagas, leishmaniose visceral e influenza, além de aplicações terapêuticas envolvendo câncer. (Serviços e Informações do Brasil)

Tecnologia pode ampliar autonomia do setor de saúde

A cooperação com o México faz parte de um movimento mais amplo de fortalecimento da capacidade tecnológica brasileira na área da saúde. O Ministério da Saúde afirma que projetos de desenvolvimento de plataformas de mRNA estão sendo apoiados em diferentes instituições, com recursos destinados à infraestrutura, pesquisa, produção e formação de profissionais. A estratégia procura aproximar universidades, institutos de pesquisa, empresas e o Sistema Único de Saúde. (Serviços e Informações do Brasil)

Um dos projetos é o Centro de Competência em Terapias e Vacinas com RNA, coordenado pelo Centro de Tecnologias de Vacinas da UFMG. A iniciativa recebeu R$ 60 milhões em recursos e foi criada para fortalecer a capacidade brasileira de desenvolver tecnologias baseadas em RNA. Entre os projetos associados estão pesquisas para vacinas contra chikungunya, dengue e malária, além de estudos relacionados a doença de Chagas e leishmaniose. (Serviços e Informações do Brasil)

No Instituto Butantan, os recursos destinados à tecnologia de RNA mensageiro apoiam a implantação de uma unidade voltada ao desenvolvimento e à produção de vacinas. Inicialmente, os projetos estão direcionados a imunizantes contra Covid-19 e raiva. A estrutura faz parte de uma estratégia que busca ampliar a capacidade nacional de produção e desenvolvimento de tecnologias consideradas relevantes para o sistema de saúde. (Serviços e Informações do Brasil)

A parceria com o México acrescenta uma dimensão internacional a esse processo. Em vez de concentrar o desenvolvimento tecnológico em apenas um país, a proposta discutida entre as duas nações prevê compartilhamento de conhecimento, formação de profissionais, intercâmbio de pesquisadores e possibilidade de desenvolvimento conjunto. Também está prevista a busca de recursos para projetos e a construção de plataformas bilaterais capazes de acompanhar diferentes etapas da inovação.

O avanço dessa cooperação ocorre paralelamente a outras iniciativas entre Brasil e México na área da saúde. A agenda da comitiva brasileira inclui ainda a cooperação regulatória entre Anvisa e Cofepris e a apresentação do Plano de Trabalho Brasil–México 2026–2027. No campo regulatório, os dois países vêm discutindo mecanismos para aproveitar avaliações realizadas pelas respectivas autoridades sanitárias, inclusive em processos de registro de medicamentos. (Serviços e Informações do Brasil)

A cooperação em RNA mensageiro, portanto, não representa apenas uma parceria para desenvolver uma vacina específica. A proposta envolve a criação e o fortalecimento de uma capacidade tecnológica que pode ser utilizada em diferentes projetos de imunização e terapias. Para o Brasil, a expansão dessa infraestrutura está relacionada à busca por maior capacidade nacional de pesquisa e produção; para a cooperação internacional, cria possibilidades de compartilhamento de conhecimento, tecnologia e experiências entre instituições.

O desenvolvimento de novas vacinas ainda depende de etapas científicas e regulatórias antes que qualquer produto possa chegar à população. Estudos clínicos precisam avaliar segurança e resposta imunológica, enquanto as autoridades sanitárias analisam os resultados antes de eventual autorização de uso. No caso da vacina de mRNA contra Covid-19 desenvolvida pela Fiocruz, por exemplo, o estudo clínico autorizado pela Anvisa ainda está em fase inicial. (Serviços e Informações do Brasil)

A aproximação entre Brasil e México mostra como a pesquisa em RNA mensageiro vem sendo incorporada às estratégias de inovação em saúde dos dois países. Com investimentos em infraestrutura, intercâmbio científico e transferência tecnológica, a cooperação busca criar condições para que novas vacinas e terapias possam ser desenvolvidas com maior participação de instituições nacionais. O resultado desses projetos dependerá das próximas etapas de pesquisa, desenvolvimento e avaliação regulatória.

Fontes:

Ministério da Saúde — Brasil e México discutem plataformas conjuntas para desenvolvimento e produção de tecnologias em saúde

Ministério da Saúde — Brasil e México avançam na cooperação em saúde

Anvisa — Estudo clínico da Fiocruz com vacina de mRNA para Covid

Ministério da Saúde — Centro de Competência em Terapias e Vacinas com RNA

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