Farmácia Popular pode oferecer exames e teleatendimento em nova expansão do governo

Diego Velázquez
Diego Velázquez Politica
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Nova etapa do programa prevê estudos para incluir exames laboratoriais, atendimento remoto e acompanhamento terapêutico; governo também planeja expansão da rede e uso de inteligência artificial contra fraudes

O Programa Farmácia Popular poderá ganhar novas funções e deixar de atuar exclusivamente na distribuição de medicamentos e insumos. O Ministério da Saúde prepara uma reformulação que abre caminho para que estabelecimentos credenciados possam oferecer exames de sangue e urina, teleatendimento multiprofissional e monitoramento terapêutico. As medidas constam de uma portaria apresentada nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026. (Folha de S.Paulo)

A proposta representa uma possível ampliação importante do papel das farmácias dentro da política pública de saúde. Em vez de funcionarem apenas como pontos de retirada de medicamentos e produtos, parte dos estabelecimentos poderia atuar como apoio para determinados serviços de acompanhamento dos pacientes.

Isso, porém, não significa que exames e consultas remotas estarão imediatamente disponíveis nas cerca de 28 mil farmácias credenciadas. A implantação deverá ser gradual e dependerá de avaliações sobre condições técnicas, sanitárias, assistenciais e tecnológicas. (Folha de S.Paulo)

Exames e teleatendimento ainda passarão por estudos

Nos próximos meses, um grupo de trabalho deverá analisar como os novos serviços poderiam funcionar dentro do Farmácia Popular. Entre as possibilidades estão exames de sangue e urina realizados nas unidades participantes, além de teleatendimentos conduzidos por equipes multiprofissionais. (Agenda do Poder)

Outra modalidade prevista para avaliação é o monitoramento terapêutico. A ideia é estudar maneiras de acompanhar de forma mais próxima pacientes que utilizam medicamentos continuamente, embora os detalhes sobre quais públicos seriam atendidos e como esse acompanhamento funcionaria ainda dependam da regulamentação.

A análise deverá considerar questões como estrutura física das farmácias, exigências sanitárias, capacidade das equipes e integração tecnológica com os sistemas públicos. Portanto, a portaria abre caminho para a expansão, mas a disponibilidade efetiva dos novos serviços dependerá das conclusões técnicas. (Agenda do Poder)

Governo quer levar programa a áreas mais vulneráveis

A reformulação também envolve uma expansão territorial. O governo pretende ampliar a presença do Farmácia Popular em localidades consideradas vulneráveis e em regiões onde a população enfrenta maior dificuldade para acessar medicamentos e outros serviços de saúde.

Os critérios para abertura de novas unidades deverão considerar fatores como densidade demográfica e necessidade de atendimento. Periferias de grandes centros urbanos aparecem entre as áreas que poderão receber atenção prioritária. (Folha de S.Paulo)

Em regiões de acesso mais difícil, o governo avalia modelos diferentes. No Amazonas, por exemplo, está em estudo a possibilidade de utilizar unidades volantes ou avançadas para alcançar populações distantes dos estabelecimentos atualmente credenciados. (Agenda do Poder)

A estratégia aproveitaria a capilaridade já alcançada pelo programa. Segundo os números divulgados nesta quarta-feira, o Farmácia Popular está presente em mais de 4.900 municípios e tem alcance estimado em 97% da população brasileira. (Folha de S.Paulo)

Inteligência artificial entra na nova estratégia

A tecnologia é outro dos pilares da reformulação. O Ministério da Saúde estuda incorporar inteligência artificial, biometria e reconhecimento facial aos procedimentos do Farmácia Popular.

Uma das possibilidades é utilizar essas ferramentas para confirmar a identidade dos beneficiários, agilizar procedimentos e reforçar os mecanismos destinados a combater irregularidades. O governo também pretende modernizar o Sistema Autorizador de Vendas (SAV), responsável por autorizar a dispensação dos produtos nas farmácias. (Folha de S.Paulo)

A atualização do SAV deverá buscar maior segurança e rastreabilidade das operações. Isso ganha importância diante do tamanho da rede e do volume de medicamentos e produtos entregues por milhares de estabelecimentos privados participantes da política pública.

Parte da utilização da inteligência artificial terá aplicação mais imediata. Segundo o Ministério da Saúde, a tecnologia será usada para avaliar irregularidades detectadas em estabelecimentos credenciados e ajudar a diferenciar problemas de menor gravidade daqueles considerados de risco elevado. (Agenda do Poder)

Cerca de 600 farmácias podem retornar ao programa

As novas regras também alteram a maneira como o governo pretende lidar com suspeitas de irregularidades. Em vez da suspensão automática de um estabelecimento diante de qualquer indício, a proposta é adotar medidas proporcionais ao nível de risco identificado.

Casos classificados como de alto ou muito alto risco continuariam sujeitos à suspensão imediata. Já problemas considerados menos graves e passíveis de correção poderiam receber tratamento diferente, evitando a interrupção desnecessária do atendimento à população. (Folha de S.Paulo)

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, essa mudança poderá permitir que cerca de 600 farmácias atualmente inativas retornem ao programa, após análise das irregularidades com auxílio das novas ferramentas tecnológicas. (Folha de S.Paulo)

A medida pode aumentar rapidamente a quantidade de pontos disponíveis aos usuários, enquanto a expansão estrutural com exames, teleatendimento e novas modalidades de acompanhamento deverá ocorrer em prazo mais longo.

Atualmente, o Farmácia Popular reúne aproximadamente 28 mil estabelecimentos credenciados. De acordo com os dados divulgados pelo governo, 27,3 milhões de pessoas foram atendidas somente em 2025. (Folha de S.Paulo)

O programa disponibiliza gratuitamente 41 medicamentos e insumos. Desde fevereiro de 2025, todo o elenco do Farmácia Popular passou a ser oferecido gratuitamente à população. A política contempla tratamentos para condições como hipertensão, diabetes, asma, osteoporose, colesterol alto, rinite, doença de Parkinson e glaucoma, entre outras indicações. (Serviços e Informações do Brasil)

Também fazem parte da iniciativa itens como fraldas geriátricas e absorventes higiênicos. O modelo utiliza farmácias e drogarias privadas credenciadas para ampliar a disponibilidade dos produtos, funcionando de forma complementar à assistência farmacêutica oferecida diretamente pelo SUS.

Para o usuário, é importante diferenciar as mudanças imediatas das propostas futuras. Os exames de sangue e urina, teleatendimentos e novas modalidades de monitoramento ainda precisarão passar por estudos antes de uma implantação ampla. (Folha de S.Paulo)

A modernização dos sistemas de fiscalização e as mudanças no tratamento das irregularidades, por outro lado, fazem parte das medidas que podem produzir efeitos mais rápidos. A eventual reativação das centenas de farmácias suspensas também poderá aumentar os pontos de atendimento disponíveis.

Caso os novos serviços sejam considerados tecnicamente viáveis, a transformação poderá aproximar determinados cuidados básicos de saúde do cotidiano da população. A presença de milhares de farmácias em municípios brasileiros permitiria utilizar uma estrutura já existente para ampliar alguns serviços sem depender exclusivamente da criação de novas unidades públicas.

Ao mesmo tempo, a expansão exigirá regras claras sobre responsabilidades profissionais, proteção dos dados dos pacientes, requisitos sanitários e integração com o restante da rede de saúde.

Farmácias podem ganhar novo papel na política de saúde

A reformulação sinaliza uma tentativa de transformar a capilaridade do Farmácia Popular em uma plataforma mais ampla de apoio ao cuidado em saúde. O programa, criado originalmente para facilitar o acesso a medicamentos, poderá passar a incorporar novas funções relacionadas ao acompanhamento de pacientes e à realização de procedimentos básicos.

A dimensão dessa mudança dependerá dos estudos que serão realizados nos próximos meses. Questões como quais exames poderão ser oferecidos, quais profissionais participarão dos teleatendimentos e quais estabelecimentos terão estrutura adequada ainda precisarão ser definidas.

Por enquanto, portanto, não significa que qualquer pessoa já possa procurar uma unidade do Farmácia Popular para fazer exames ou receber teleatendimento. Essas possibilidades estão em fase de planejamento e avaliação. (Folha de S.Paulo)

Se o modelo avançar, entretanto, o Farmácia Popular poderá assumir uma função mais abrangente dentro das políticas públicas de saúde, aproximando medicamentos, acompanhamento terapêutico e determinados serviços médicos da população, principalmente em periferias e regiões de difícil acesso.

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